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Rompendo o silêncio sobre a questão da água em Porto Alegre
Embora tendo por pauta a continuidade da discussão da proposta de emenda regulando as Áreas de Topo de Morro como Áreas de Preservação Ambiental (APP), e a definição de integrantes dos grupos de acompanhamento do trabalho das cinco relatorias criadas pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre para a discussão do PDDUA, a reunião de 19 de março, acabou centrada no que estava previsto para ser apenas um informe: a apresentação do Arquiteto Israel Baralos de Abreu sobre o problema da água em Porto Alegre.
Confira os pontos levantados por Israel:
• Problema da água em Porto Alegre deixou de ser uma questão para o futuro próximo, já é uma questão do presente;
• Há uma deterioração crescente do estado das bacias de captação, conseqüência das mudanças nos regimes climáticos e que se expressa na presença cada vez mais duradoura de “algas” (cianobactérias);
• A cidade não está preparada para enfrentar o problema, são poucos os estudos existentes, além de serem apenas pontuais;
• É importante a mobilização da sociedade, pois é ela que permite mudar as coisas, como ocorreu com o movimento pela inclusão de indicador de qualidade da água hoje impresso nas contas;
• Ao longo do Arroio Dilúvio existe 37 serviços de saúde. A água sai da sala de cirurgia e vai para o Arroio – gerando não apenas elevado grau de dureza na água, mas também adicionando substâncias indesejáveis, sendo que a captação de água do Menino Deus está a menos de 150 metros da foz do Arroio;
• A situação é semelhante também nos outros pontos Todas as captações estão abaixo dos lançamentos (outro exemplo é o Arroio Cavalhada e a Hidráulica da Tristeza);
• Quanto pior a qualidade da água captada maior o custo de produção da água tratada;
• É preocupante que não haja uma integração entre os órgãos e se permita obras de grande envergadura, sem considerar o efeito sobre as bacias de captação, como é o caso do Conduto Forçado Álvaro Chaves, que desembocará diretamente no Guaíba, sem tratamento prévio, assim como o Barra Shopping em construção no Cristal e a mega reurbanização prevista para a área do Cais do Porto (5 hotéis, marinas e outros empreendimentos);
• Porto Alegre precisa definir onde será o cais e onde se dará a captação, sobretudo tendo em vista os múltiplos usos do Guaíba (vias de transporte, captação, lazer, despejo de esgotos, pesca, irrigação de lavouras, porto etc.);
• 4 navios da Petrobrás fazem o transporte de gás pelo Guaíba, fazendo suas manobras no Gravataí, onde o mix de colóide e lama já atinge 4,8 metros, havendo risco de encalhe com conseqüências desastrosas;
• Porto Alegre ainda possui muitas áreas onde o esgoto é “misto”, conceito falso, pois misto quer dizer cloacal na prática;
• Os grandes empreendimentos deveriam ser obrigados a fazer no próprio local o tratamento de esgotos e o conseqüente reaproveitamento da água;
• Porto Alegre precisa definir hoje onde vai captar água daqui a 5-10 anos, sendo uma das possibilidades o Rio Jacuí. Mas, para isso, seria necessário ter projetos prontos, hoje, para que os financiamentos tenham o seu curso de tramitação ao redor de 5 anos até a liberação dos recursos.
Após esta exposição e intenso debate com o público presente, no final da reunião foram definidos os participantes das entidades presentes para o acompanhamento do trabalho das 4 sub-relatorias do PDDUA na Câmara.
(Extraído da newsletter da ONG Cidade)