sexta-feira, 15 de maio de 2026

PROJETO DE RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA COMBATE DESERTO VERDE NO PARQUE ESTADUAL DE ITAPUÃ


O Parque Estadual de Itapuã, localizado em Viamão, está passando por um extenso processo de recuperação da sua flora e fauna originais através do projeto “Nosso Itapuã”. 

As ações de manejo e as novidades do projeto, que já completa um ano de execução, foram debatidas de forma aprofundada em uma edição especial do programa Cidadania Ambiental. Conduzido pelos conselheiros João Batista Santafé Aguiar, jornalista, e Sandra Mendes Ribeiro, bióloga, o programa traz uma entrevista exclusiva com o doutor em botânica Rafael Borges, um dos coordenadores técnicos do projeto. 

A entrevista foi realizada no Restaurante e Café Limão Bergamota, no bairro Jardim Isabel. Rafael Borges, João Batista Santafé Aguiar e Sandra Mendes Ribeiro (pela esquerda)


Durante a conversa, Borges explicou que a reserva de aproximadamente 5,5 mil hectares sofre gravemente com a invasão biológica do Pinus elliottii, uma espécie exótica originária da América do Norte. As sementes do pinus viajam quilômetros com o vento e, ao germinarem, as árvores criam um sombreamento intenso e um tapete de folhas secas (acículas) no solo que impede o crescimento de qualquer planta nativa, formando o que os biólogos chamam de “deserto verde”.
Em uma primeira etapa, foram retirados cerca de 13 mil indivíduos de Pinus Elliottii. Para combater esse problema, o projeto de restauração (que vai de jan/2025 a jan/2028) captou R$ 2,5 milhões junto ao grupo empresarial RGE/CPFL, via compensação ambiental do mecanismo de Reposição Florestal Obrigatória (RFO) gerido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA-RS). A execução é realizada pela Universidade La Salle, em parceria com a Apoena Socioambiental na área de educação ambiental. 
 A entrevista destaca os avanços obtidos no primeiro ano de operações. Até o momento, as equipes realizaram a derrubada das árvores invasoras em duas frentes prioritárias: no Morro do Araçá e no entorno do Centro de Visitantes. O corte ocorreu estrategicamente durante o outono e inverno para não afetar o período reprodutivo das aves e nidificação. 

Para evitar o impacto ambiental que a entrada de tratores e caminhões causaria ao ecossistema local, a madeira cortada foi organizada em leiras e deixada para se decompor naturalmente. Além disso, em áreas de regeneração mais difícil, foram plantadas 500 mudas de 40 espécies de árvores nativas há cerca de dez meses, registrando-se um sucesso expressivo com a perda de apenas 10 plantas, que já foram substituídas. O projeto também viabilizou a construção de um viveiro no próprio parque, assegurando a produção contínua de novas mudas nativas para preencher as áreas que antes eram dominadas pelos pinus. 

Os grandes desafios futuros 

O próximo desafio mapeado na entrevista é a região da Praia de Fora. Estudos apontaram uma estimativa de 450 mil árvores de pinus em uma amostra local de 400 hectares; sendo que a Praia de Fora possui uma área de aproximadamente 2.300 hectares. Dada a dimensão do problema, a equipe estuda com a SEMA a adoção de pequenos projetos-piloto para testar novas técnicas de controle e manejo florestal, como o adensamento florestal nativo ou até mesmo o emprego cauteloso de fogo controlado, método já utilizado com sucesso na Estação Ecológica do Taim.  



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